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Exercício reverte perda de massa muscular em mulheres submetidas à cirurgia bariátrica

O Brasil registrou, em 2019, 68.530 cirurgias bariátricas, procedimento gastrointestinal para perda de peso. O número é 7% superior ao de 2018, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).
A indicação cirúrgica tem como base quatro critérios, estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). São eles: o índice de massa corporal (IMC) do paciente, sua idade, as doenças associadas e o tempo de obesidade.
Ainda segundo a SBCBM, a cirurgia bariátrica tem como benefícios, além da diminuição do peso, a remissão das doenças associadas à obesidade, como diabetes, hipertensão e outras; a diminuição do risco de mortalidade; o aumento da longevidade; e a melhoria na qualidade de vida do paciente.
Entretanto, junto com a perda de gordura vem a de massa muscular. Tentar reverter esse quadro, por meio do exercício, foi o objetivo de um estudo feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP).
Os cientistas, ligados ao Grupo de Fisiologia Aplicada e Nutrição da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) e à Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), recrutaram 80 pacientes mulheres do Centro de Referência em Cirurgia Bariátrica e Metabólica do Hospital das Clínicas (HC/FMUSP). As voluntárias tinham, em média, 40 anos de idade e IMC de 48 kg/m2, o que caracteriza obesidade mórbida.

Pacientes treinadas fazem exercícios aeróbicos e de força

Professor da EEFE e coordenador da pesquisa, Hamilton Roschel conta, em entrevista ao Jornal da USP, que as pacientes foram divididas em dois grupos. Um realizou, três vezes por semana, durante seis meses, programa de treinamento físico supervisionado, iniciado três meses após a cirurgia bariátrica, com exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular. O outro teve apenas o acompanhamento pós-cirúrgico padrão, com atendimento médico e nutricional, sem exercícios.
Nos dois grupos, os pesquisadores avaliaram: força muscular dos membros superiores e inferiores, funcionalidade, composição corporal, área das fibras musculares e parâmetros mionucleares e de capilarização do músculo. Também analisaram a síntese e a degradação de proteínas nas células.
“Observamos uma redução importante da força muscular dos membros superiores e inferiores três meses após a cirurgia em ambos os grupos. Em contrapartida, o grupo treinado mostrou um aumento da força muscular ao final da intervenção, enquanto o grupo não treinado não apresentou nenhuma melhora”, revela Roschel.

Cirurgia bariátrica reduz massa magra em ambos os grupos

Além disso, após a intervenção, as voluntárias submetidas a treinamento físico apresentaram melhora da funcionalidade, em comparação às que não se exercitaram.
“A cirurgia comprometeu a massa magra e a área de secção das fibras musculares de ambos os grupos. Porém, o exercício atenuou de maneira importante a perda de massa magra e reverteu a perda ao nível da fibra muscular no grupo exercitado”, destaca Roschel, acrescentando que o treinamento físico “melhorou parâmetros mionucleares e de capilarização em relação ao grupo não exercitado, e o sequenciamento de RNA revelou supressão de genes relacionados à degradação proteica”.
De acordo com o professor da EEFE, o estudo mostra que mulheres obesas submetidas à cirúrgica bariátrica e a um programa de treinamento físico adquirem um perfil de expressão gênica e características musculares – área de secção transversa da fibra muscular, capilarização, força e funcionalidade – comparáveis a um grupo controle de mulheres com condições físicas normais.
“Esses resultados, analisados em conjunto, nos permitem recomendar a inserção de programas de treinamento físico sistemático no tratamento pós-operatório de mulheres submetidas à cirurgia bariátrica, a fim de contrapor os efeitos adversos da perda de massa muscular”, ressalta.
As conclusões do trabalho foram apresentadas em outubro no periódico Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle.

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