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Estudo ajuda a definir horário ideal de exercício para hipertensos

Após o exercício, é normal – e esperado – haver uma queda da pressão arterial (PA). Esse fenômeno, chamado hipotensão pós-exercício (HPE), é benéfico para o praticante e acontece, principalmente, quando a atividade é realizada no fim do dia.
Agora, pesquisadores da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFE-USP) compararam o efeito de duas classes bastante usadas de medicamentos anti-hipertensivos – BRAs (bloqueadores de receptores da angiotensina 2) e iECAs (inibidores da enzima conversora de angiotensina) – sobre a HPE.
Publicada no periódico Clinical and Experimental Hypertension, a pesquisa teve a participação de 29 homens hipertensos que tomavam apenas uma das classes de medicamentos havia pelo menos quatro meses. Os voluntários foram submetidos a dois testes de esforço máximo em bicicleta ergométrica, em sessões de manhã (entre 7h e 9h) e à noite (de 20h às 22h).
Os exercícios foram realizados em dois dias diferentes, com intervalo de três a sete dias entre cada sessão. Os avaliadores não sabiam qual medicamento cada voluntário tomava.
A PA dos participantes foi aferida antes das atividades e 30 minutos depois. Os pesquisadores constataram que, no grupo que usava BRA, a queda média na pressão, à noite, foi de 11 milímetros de mercúrio (mmHg), e de manhã, 6 mmHg. Já entre os usuários de iECA, as reduções foram de 6 mmHg e 8 mmHg, respectivamente.

“Nossa hipótese era de que os iECAs atenuariam a magnitude da hipotensão pós-exercício, principalmente à noite. E, de fato, observamos que os iECAs, mas não os BRAs, atenuaram o efeito hipotensor do exercício esperado à noite”, comenta o educador físico e pesquisador Leandro Campos de Brito, em entrevista à Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Para Brito e seus colegas da EEFE-USP, os resultados do estudo poderão ajudar profissionais de saúde a adequar o horário do treino à classe de fármacos usada pelo paciente. Com isso, os benefícios do exercício para o tratamento da hipertensão arterial seriam potencializados.
Conforme destaca a Agência Fapesp, a estratégia pode ser vantajosa, principalmente, no caso de hipertensos que respondem mal a medicamentos.
“Indivíduos com a chamada hipertensão resistente – que tomam três ou mais tipos de droga, incluindo, preferencialmente, um diurético, ou quatro ou mais tipos de droga sem atingir o controle adequado – se beneficiariam de um ajuste no horário do exercício, o que precisa ser confirmado por estudos futuros”, pontua Brito.

Melhores resultados à noite

Este trabalho faz parte da pesquisa de doutorado de Brito. Em seu estudo, o educador físico avaliou o efeito de 10 semanas de treinamento aeróbico, em diferentes horários, sobre pacientes hipertensos medicados. A conclusão foi que os exercícios noturnos tinham melhores resultados.

“Nosso organismo é guiado pelo ciclo circadiano, e com a pressão arterial não é diferente. Os mecanismos que a reduzem estão mais ativos à noite, como preparação para o repouso, enquanto os que a elevam ficam mais ativos de manhã, quando acordamos”, explica Brito, acrescentando que a noite é “uma janela de oportunidade para atingir reduções mais significativas” de pressão arterial, conforme apontam os seus achados.

Ainda segundo o pesquisador, todos os praticantes de atividades físicas aeróbicas podem experimentar algum nível de hipotensão pós-exercício. No entanto, esse declínio é muito mais significativo nos indivíduos hipertensos.
“Há uma média de 8 a 10 mmHg de redução na pressão sistólica e 4 a 6 mmHg na diastólica, sem a presença de sintomas negativos como enjoo, ânsia e tontura”, afirma.
Outros estudos apontam que uma sessão de exercício já pode oferecer algum nível de proteção cardiovascular. Também indicam que a diminuição da PA, em decorrência da atividade física, pode até mesmo durar o dia todo.

“Alguns grupos de pesquisa entendem que cada sessão de exercício funciona como um tijolinho em uma parede, que leva a um efeito benéfico crônico do treinamento”, ressalta Brito.

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