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Um Estudo Piloto sobre os Efeitos da Suplementação de Magnésio com a Ingestão Habitual Elevada e Baixa de Magnésio durante o descanso e recuperação de Exercícios Aeróbicos e de Resistência e Pressão Arterial Sistólica

O magnésio, um dos minerais mais abundantes no corpo, é essencial para mais de 300 processos bioquímicos e desempenha um papel importante na ativação da atividade enzimática celular, como os necessários para sintetizar DNA e RNA, e também no metabolismo (Musso, 2009). Para atletas, é importante devido ao seu envolvimento na glicólise, no ciclo do ácido cítrico e na produção de fosfato de creatina. Também tem sido sugerido que os níveis de magnésio livre podem afetar o acoplamento da contração de excitação do miocárdio (Michailova et al., 2004).

O magnésio tem sido consistentemente ligado à redução da pressão arterial, tanto na população clinicamente hipertensa como na população normotensa (Itoh et al.,1997). Meta-análises de estudos randomizados de Jee et al. (2002) e Kass et al. (2012) sobre os efeitos do magnésio na PA mostram reduções dependentes da dose. Um estudo de Itoh et al. (1997) em 33 pacientes normotensos mostrou que o magnésio baixou a PA após 4 semanas. Os autores atribuíram a redução à excreção de sódio na urina, que age como um relaxante para os vasos sanguíneos. No entanto, Doyle et al. (1999) realizaram um estudo em mulheres saudáveis ​​e não encontraram redução na PA com aumento da ingestão de magnésio após 4 semanas. O exercício faz com que os níveis de magnésio no corpo sejam esgotados através de perdas no suor, urina e alterações nos níveis de magnésio no sangue (Rayssiguier et al., 1990). Um atleta terá, portanto, maior necessidade de ingestão diária de magnésio do que a população sedentária. Atletas em dietas com restrição calórica também podem estar em risco de deficiência. Evidências mostram que o exercício causa uma redistribuição de magnésio para os locais ativos no corpo (Nielsen e Lukaski, 2006) e que a deficiência do mineral afeta negativamente o desempenho (Newhouse e Finstad, 2000). No entanto, tem havido pouca evidência para mostrar que a suplementação de magnésio em adultos, com ingestão adequada do mineral, irá aumentar o desempenho (Laires e Monteiro, 2007).

Existem dois mecanismos sugeridos para o efeito do magnésio na PA sistólica em repouso. Um mecanismo é que o magnésio atua como uma força motriz da bomba de sódio e potássio na membrana celular e mobiliza mais sódio para ser excretado (Bara et al., 1993). A redução do sódio intracelular pode fazer com que as células musculares lisas nas paredes vasculares relaxem, e a pressão arterial diminua. Outro mecanismo sugerido é que o magnésio atua como um bloqueador dos canais de cálcio (Touyz, 2004), funcionando como um relaxante da musculatura lisa dos vasos sanguíneos, aumentando a complacência arterial e reduzindo a PA.

Houve sugestões de uma relação inversa entre o consumo dietético de magnésio diário e a PA (Kawano et al., 1998; Ma et al., 1995). No entanto, o magnésio alimentar raramente é avaliado nos estudos revisados ​​e nenhum grande estudo analisou o impacto do magnésio dietético na PA em pacientes hipertensos. Alimentos comuns que contêm magnésio são grãos como farinha de trigo e farelo de aveia, vegetais como alcachofra, espinafre e feijão (preto e branco), e nozes, por exemplo, amêndoas e castanhas. Deve-se considerar, no entanto, que a ingestão diária de magnésio na sociedade ocidental tem diminuído de cerca de 500 mg/dia nos anos 1900 para um valor mais próximo de 175 mg/dia (Altura, 1994), aumentando a probabilidade de um indivíduo ser deficiente em magnésio. Este valor não é conclusivo de cordo com o Reference Nutrient Intake (RNI) do Reino Unido, delineado pelo Reino Unido Food Standards Agency (2003) para 300 mg/dia para homens; e 270 mg/dia para mulheres (12,35 mmol e 11,10 mmol).

Como é de conhecimento dos autores, nenhum estudo abordou que o magnésio afeta o desempenho aeróbico e o desempenho máximo em indivíduos saudáveis. Além disso, não há estudos que analisem o efeito da suplementação de magnésio naqueles com ingestão de magnésio dietético habitual alta versus baixa. Embora as revisões tenham mostrado uma redução na pressão arterial com suplementação de magnésio, (Jee et al., 2002; Kass et al., 2012) há pesquisas limitadas sobre o efeito da suplementação na PA durante o exercício ou no desempenho. É importante que os níveis de magnésio permaneçam altos durante a recuperação para afetar o metabolismo celular e a síntese de proteínas (Groff e Gropper, 2000). Portanto, baixos níveis de magnésio podem prejudicar a recuperação muscular e a PA durante e após o exercício. A resposta normal da PA, após o exercício, é hipotensão rápida (Orri et al., 2004). No entanto, isso pode diferir em resposta à suplementação de magnésio e na extensão da hipotensão. Os objetivos desta investigação piloto foram determinar: 1) a relação entre a suplementação de magnésio e a PA sistólica em repouso e pós-exercício e seu efeito no desempenho; 2) determinar se uma alta ou baixa ingestão de magnésio na dieta impacta nesses resultados. Outros objetivos foram investigar quaisquer alterações na frequência cardíaca durante todo o tempo.

 

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Uma ferramenta de vigilância para avaliar dietas de acordo com o “Eating Well, com o Canada’s Food Guide” (CFG)

O Canadian Nutrient File (CNF), banco de dados de referência de composição de alimentos do Canadá, é usado para analisar dados coletados por pesquisas sobre consumo de alimentos e nutrição. A Pesquisa de Saúde Comunitária Canadense de 2004 (CCHS) foi a mais recente aplicada no país para conhecer os hábitos alimentares da população. Com base nos dados apurados, as dietas dos canadenses foram avaliadas em relação às recomendações do Eating Well, com o Canada’s Food Guide (CFG).

No entanto, os métodos que os pesquisadores aplicaram para identificar alimentos consistentes com o CFG diferiram. Visando padronizar esse tipo de análise, a Health Canada criou uma ferramenta de vigilância que classifica os alimentos no CNF de acordo com a CFG, a “Classificação CNF/CFG”.

O CNF criou categorias para os alimentos, dividindo-os em grupos e subgrupos de alimentos e grupos de modelagem.

Esses alimentos passaram, então, por uma nova classificação, baseada nos limites estabelecidos pela CFG para gordura total, gordura saturada, açúcar e sódio. Ajustes foram feitos para levar em conta as suas recomendações. O objetivo foi determinar se a Classificação CNF/CFG reflete com precisão a orientação da CFG.

A partir de então, os alimentos “em linha com a CFG” foram usados para criar dietas simuladas. O conteúdo energético e a distribuição de nutrientes dessas dietas foram avaliados com base nos critérios utilizados para modelar o padrão alimentar CFG.

A classificação CNF/CFG é considerada satisfatória quando os critérios são atendidos, ou quando as distribuições são semelhantes às da modelagem CFG.

 

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Variáveis-do-Teste-Cardiopulmonar-de-Exercício-no-Diagnóstico-Diferencial-da-Dispneia

Variáveis do Teste Cardiopulmonar de Exercício no Diagnóstico Diferencial da Dispneia

A dispneia é um dos sintomas mais comuns dentro da prática clínica, especialmente nas unidades de atendimento hospitalar, podendo corresponder a mais de 50% das queixas, bem como na rotina clínica ambulatorial, na qual chega a ocupar cerca de 25% da demanda. É considerada crônica quando a queixa persiste por pelo menos um mês, e comumente se mantém sem diagnóstico claro mesmo após extensa avaliação complementar, com dados demonstrando até 15% de causas não esclarecidas. Apresenta diversas definições na literatura médica, de forma geral, expressando-se como uma sensação subjetiva de desconforto respiratório, com ampla variedade de intensidade e tempo de apresentação. Deriva da interação de múltiplos fatores, fisiológicos, psicológicos, sociais e ambientais. Mais de uma etiologia pode justificar um quadro de dispneia, no entanto é possível delimitar quatro grandes causas envolvidas: desordens respiratórias obstrutivas (Asma, DPOC), insuficiência cardíaca (disfunção miocárdica), doença pulmonar intersticial e obesidade / descondicionamento.

Em suma, a abordagem ampla na avaliação da etiologia da dispneia é de extrema importância na propedêutica clínica como risco independente de mortalidade. Neste sentido, o desafio do médico encontra-se na precisão diagnóstica para proporcionar adequadas medidas terapêuticas. Deste modo, o entendimento do comportamento de variáveis cardiovasculares, metabólicas, ventilatórias e de trocas gasosas se torna fundamental e, felizmente, possibilitado pelo TCPE. De forma prática, apresentamos uma tabela geral* que resume o comportamento das principais variáveis do TCPE no diagnóstico diferencial da dispneia.

(*) Veja a tabela geral no conteúdo completo deste artigo.

 

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Avaliação-da-eficiência-do-consumo-de-oxigênio-em-crianças-saudáveis-e-crianças-com-doença-cardíaca

Avaliação da eficiência do consumo de oxigênio em crianças saudáveis e crianças com doença cardíaca: geração de valores de referência apropriados para a variável OUES

Introdução

A avaliação funcional de crianças e adolescentes com cardiopatia congênita ganha importância diagnóstica e prognóstica mundialmente. A depuração médica para realizar atividades físicas, bem como a indicação médica para cirurgia, são fatores-chave avaliados pelo teste de exercício cardiopulmonar (CPX) e suas variáveis resultantes. Entre eles, destaca-se a eficiência da captação periférica de oxigênio, representada pela curva de eficiência de consumo de oxigênio (OUES), variável definida pela curva de regressão logarítmica entre o consumo de oxigênio (VO2) e ventilação (VE), que graficamente externaliza o aumento do VO2 em resposta à demanda ventilatória imposta pela carga de trabalho aplicada. É a representação fisiológica da eficiência com que o oxigênio é extraído pelos pulmões e usado pela periferia, de importância crescente devido à sua confiabilidade e reprodutibilidade, mesmo em testes submáximos ou com padrões ventilatórios erráticos. Portanto, avalia a eficiência da extração periférica de oxigênio durante o trabalho muscular sistêmico, na expressão do comportamento metabólico de acordo com a produção de ácido láctico e a ventilação do espaço morto, que pode ser afetada pela perfusão pulmonar.

Baba et al., Hollemberg e Tager, e Bongers et al. analisaram a associação do VO2 máximo com a OUES em 75%, 90% e 100% da duração do exercício, sem diferenças significativas detectadas. Esse fato sugeriu a possibilidade de utilização da variável em níveis submáximos de exercício, especialmente para populações com limitações – como crianças, idosos e indivíduos com disfunção cardiocirculatória – fazendo exercícios mais intensos.

A OUES é influenciada ou depende de alguns fatores importantes, como idade, área de superfície corpórea e integridade do volume pulmonar. Além disso, e de acordo com estudos anteriores e, ainda, devido a mudanças nas variáveis antropométricas em crianças, como resultado de seu desenvolvimento, o OUES ajustado para a superfície corporal ou mesmo corrigido para o peso deve ser sugerido para avaliação em jovens.

Na população pediátrica a correlação entre OUES, hipertensão arterial pulmonar e cardiopatia congênita foi demonstrada, como mencionado na revisão de Hossri et al. No estudo realizado por Bongers, incluindo 46 crianças saudáveis e 31 crianças com cardiopatias congênitas (16 submetidas ao procedimento de Fontan e 15 submetidos à correção total da tetralogia de Fallot), observou-se forte correlação entre a variável e a complexidade da cardiopatia, uma vez que os valores de OUES foram significativamente menores nos pacientes com cardiopatia, principalmente nos pacientes submetidos ao procedimento de Fontan, de maior complexidade.

Embora a importância diagnóstica e prognóstica dessa variável já esteja estabelecida na insuficiência cardíaca, existem poucos dados disponíveis em crianças e adolescentes. Nesse sentido, os principais objetivos do presente estudo são ampliar o conhecimento e a aplicabilidade da OUES, além da proposição de valores de referência de normalidade quando indexados pelo peso corporal (OUES/kg) em uma população em que a análise das variáveis de esforço máximo ainda representam um desafio. Assim, os valores de referência serão apresentados para OUES/kg e secundariamente OUES por área de superfície corporal (OUES/BSA) em dois grupos de crianças e adolescentes: saudáveis e com doença cardíaca. De acordo com o número de avaliações ergoespirométricas realizadas, consideramos a hipótese de que crianças e adolescentes com OUES/kg > 35 apresentam função cardiovascular normal, ou seja, pico ou máximo de VO2 acima de 80% dos valores previstos.

Métodos

Foi realizado um teste cardiopulmonar máximo em 676 crianças e adolescentes (305 controles saudáveis e 371 com cardiopatias congênitas), entre 4 e 21 anos de idade, sendo 481 homens e 195 mulheres, com média de idade de 12 anos.

Resultados

O valor de referência do OUES para a classificação de crianças e adolescentes com capacidade funcional normal (> 80% do consumo máximo de oxigênio previsto) foi de 34,63 (sensibilidade de 77% e especificidade de 83%, p <0,05). Em relação à área de superfície corporal, considerando pacientes saudáveis e com cardiopatia, o valor de corte do OUES/BSA foi 1151, com sensibilidade de 79% e especificidade também de 79%.

Conclusão

Com base nos resultados obtidos, podemos concluir que a OUES/kg < 35 está associada ao comprometimento da capacidade funcional; e a OUES/kg > 35 está associada à resposta cardiovascular preservada, assim como a OUES/BSA maior que 1200, ou seja, VO2 pico > 80% do valor previsto. Assim, OUES/kg pode ser um importante marcador na diferenciação entre capacidade funcional preservada ou anormal em crianças e adolescentes com e sem cardiopatia congênita, mesmo no nível submáximo de exercício.

 

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