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Caminhada, futebol e musculação são as atividades físicas preferidas dos brasileiros

A caminhada é a atividade física mais praticada no Brasil, seguida do futebol e da musculação. É o que revela uma pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas (FCM/Unicamp), que analisou dados epidemiológicos de 60.202 adultos. Os resultados foram publicados no final de 2019 na revista internacional Public Library of Science (Plos One) e divulgados este mês pela Unicamp.
Além de apontar os exercícios preferidos dos brasileiros, o estudo avaliou os fatores socioeconômicos que influenciam na incorporação das atividades à rotina de lazer da população. Para isso, os entrevistados foram divididos em quatro grupos, de acordo com o orçamento familiar mensal per capta.
No primeiro, com ganhos individuais de até R$ 355,99, 79% dos participantes responderam que não praticam nenhuma atividade física regularmente durante o lazer. Já no grupo mais rico, com rendimentos acima de R$ 1,2 mil por integrante da família, o índice cai para 55,5%.
Ao todo, 69,5% dos entrevistados relataram não praticar atividade física no lazer ou esporte.

“Nosso estudo encontrou grandes desigualdades entre grupos demográficos e socioeconômicos no tipo de atividade física praticada pela população brasileira, enriquecendo nosso entendimento sobre as práticas que são mais ou menos propagadas em cada grupo”, comenta a educadora física e epidemiologista Margareth Guimarães Lima, do Centro Colaborador em Análise de Situação de Saúde (CCAS) da FCM, em matéria no site da Unicamp.

Praticamente todas as atividades físicas listadas na pesquisa foram mais prevalentes em indivíduos com maior renda. A única exceção foi o futebol, segundo colocado geral, com 6,8% de preferência, mas o primeiro entre a população mais pobre e os negros, sobretudo homens.

“A prática desse esporte deve ser encorajada, a fim de garantir alguma atividade desse tipo entre os grupos socioeconômicos mais vulneráveis”, defende Lima.

Exercícios indoor: mais comuns entre brancos e ricos
A caminhada, primeira colocada do ranking, foi citada como o exercício mais praticado nos momentos de lazer por 9,8% dos entrevistados. Essa também foi a atividade preferida de mulheres pobres e negras, ao lado da ginástica.
A musculação, por sua vez, teve 4,5% de preferência. Segundo o estudo, a atividade é praticada principalmente por pessoas brancas e mais ricas – a prevalência no grupo mais rico foi 6,4 maior do que no grupo mais pobre.
O mesmo cenário foi encontrado em outras duas atividades comuns em ambientes indoor: a dança (quase três vezes mais prevalente entre os ricos) e a corrida em esteira. Nessa última, a discrepância é ainda mais latente entre os dois grupos: 24,7 vezes superior entre os ricos.
Em entrevista ao portal G1, Lima avalia que a diferença entre os grupos pode ser explicada pela falta de conhecimento, entre os mais pobres, da importância da prática de atividade física, bem como pela falta de acesso a ela.
A pesquisadora ressalta que, nas últimas décadas, algumas políticas foram implementadas para ampliar o nível de atividade física da população, como as academias ao ar livre e a prática de exercício nas unidades básicas de saúde. No entanto, ela defende que essas medidas sejam frequentemente avaliadas e repensadas.
A fim de reduzir as desigualdades sociais na prática de atividade física, Lima sugere a criação de ações constantes de educação para a saúde e a oferta de locais seguros e agradáveis para a realização dos exercícios.
Diferenças por idade e gênero
Embora esteja entre as principais atividades físicas do Brasil, o futebol ainda encontra dificuldade de popularização entre as mulheres. De acordo com o estudo, apenas 0,4% das brasileiras têm o esporte como prática principal.
A pesquisa aponta, entre os motivos para o fenômeno, “fatores culturais e relativos ao preconceito no esporte, privando as meninas de mais uma opção de prática esportiva”.
Outra atividade majoritariamente masculina é a musculação, que tem baixa adesão entre mulheres (apenas 3,6%) e também entre idosos (0,9%).
Os pesquisadores destacam que a musculação, para esses dois grupos populacionais, “pode trazer importantes benefícios, considerando sua contribuição em relação ao ganho de massa muscular e óssea”. A atividade, acrescentam, ajuda a prevenir e controlar doenças musculoesqueléticas, como a osteoporose.
Por outro lado, o estudo constatou que a hidroginástica é uma prática comum entre mulheres idosas, mas quase inexistente entre adolescentes.

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